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Existe relação causal entre uso de celular e dor em crianças?

  • 29 de abr.
  • 2 min de leitura

Não existe uma relação simples e direta.

Estudos mostram que pode haver associação entre maior tempo de uso de smartphones e maior relato de dor cervical, mas essa relação é inconsistente entre pesquisas e frequentemente desaparece quando outros fatores são considerados.

Quando olhamos para crianças e adolescentes, o cenário fica ainda mais claro, por que a dor musculoesquelética é multifatorial. Ou seja, o celular pode fazer parte do contexto. No entanto, dificilmente é o fator determinante.

O que a literatura tem mostrado:


* Tempo sedentário elevado está fortemente associado à dor, independentemente do uso de telas

* Baixa atividade física impacta negativamente indicadores de saúde e bem-estar geral

* Uso prolongado sem variação postural pode levar à fadiga muscular e redução da eficiência de estabilização cervical

* Fatores psicossociais e comportamentais influenciam tanto o surgimento quanto a percepção da dor

Não estamos diante de uma “postura errada que causa lesão”, mas sim de um organismo exposto a baixa variabilidade de movimento, pouca capacidade física e alta carga cumulativa ao longo do dia.

Crianças com mais dor não são necessariamente as que usam mais celular são, com mais frequência, as que:

* se movimentam menos

* têm menor capacidade de resistência muscular

* passam mais tempo sentadas

* dormem pior

* e vivem em contextos com maior carga de estresse

O celular, nesse cenário, funciona muito mais como marcador de estilo de vida do que como causa isolada.

Em vez de buscar um único vilão, o caminho mais consistente , à luz do que a literatura mostra é olhar para a capacidade adaptativa da criança diante das demandas do dia a dia.

Porque o ponto-chave não é evitar determinadas posições, e sim preparar o corpo para tolerá-las. Afinal, essa criança tem hoje capacidade física, variabilidade de movimento e consciência suficientes para sustentar a rotina que leva, ou a dor já é o primeiro sinal de que essa adaptação ainda não foi construída?


Aqui na SOU, a avaliação vai além de observar a postura. Investigamos como o corpo da sua criança funciona, quais são as capacidades que já estão bem desenvolvidas e onde estão os pontos que precisam de estímulo.

 
 
 

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