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As 5 lesões traumato-ortopédicas mais comuns na infância

26 de ago.
3 min de leitura

Entenda as fraturas, luxações e traumas musculoesqueléticos mais frequentes nas crianças.


Durante a infância, é comum que quedas e traumas aconteçam em meio às brincadeiras e atividades do dia a dia. No entanto, o sistema musculoesquelético infantil tem características muito específicas: ossos em crescimento, placas de crescimento e ligamentos mais fortes que os ossos.


Isso significa que as crianças não se machucam como adultos. Uma torção que causaria uma lesão de ligamento em um adulto, em uma criança pode resultar em uma fratura.


Com base em estudos publicados nas principais revistas de ortopedia pediátrica, listamos as 5 lesões traumato-ortopédicas mais comuns na infância, como reconhecê-las e o que fazer.


1. Fratura em "Galho Verde" (Antebraço e Punho)

Esta é, disparada, a fratura mais comum da infância. Ocorre quando a criança cai com a mão estendida e o impacto é transmitido para o rádio e a ulna. Diferente do osso adulto, que é rígido e quebra completamente, o osso da criança é mais poroso e flexível. O osso "enverga" e trinca apenas de um lado, como um galho verde de árvore que se dobra, mas não se parte ao meio.


  • Sinais de alerta: Dor imediata, inchaço no punho ou antebraço, e a criança se recusa a usar o braço, segurando-o junto ao corpo.



2. Fratura de Clavícula

Seja em bebês durante o parto, seja em crianças maiores que caem do escorregador ou da bicicleta, a clavícula é um osso extremamente vulnerável. A clavícula não completa sua ossificação até o final da adolescência. Ela fica muito exposta, sem proteção muscular grossa. A grande maioria das fraturas de clavícula em crianças (terço médio) é tratada de forma conservadora, sem cirurgia, usando apenas uma tipoia.


  • Sinais de alerta: Dor no topo do ombro, dificuldade para levantar o braço acima da cabeça e, muitas vezes, um "degrau" palpável no local da fratura.



3. Subluxação da Cabeça do Rádio

Essa é a lesão ortopédica clássica da primeira infância (1 a 4 anos). Apesar de parecer dramática, tem uma solução simples e imediata. O ligamento anular que segura a cabeça do rádio (osso do antebraço) contra o cotovelo ainda é frouxo nessa idade. Quando um adulto puxa a criança pelo braço ou a balança pelos punhos, o ligamento desliza e fica preso na articulação.


  • Sinais de alerta: A criança, que estava brincando, começa a chorar de repente e para de mexer o braço, mantendo-o pendurado, com o cotovelo levemente dobrado e a palma da mão virada para dentro. Não tente "puxar" ou massagear em casa. O ortopedista faz uma manobra suave de redução (rotação e flexão do cotovelo) que resolve o problema em segundos, com alívio imediato da dor.



4. Fratura de Tíbia

Muito comum entre 9 meses e 3 anos. Ocorre geralmente por um mecanismo de torção do pé enquanto a perna fica presa (ex: pulando em uma cama elástica ou pisando em falso). É uma fratura em espiral da tíbia, sem desvio. É uma fratura sutil que pode não aparecer no raio-X inicial, gerando um quadro de "recusa de marcha".


  • Sinais de alerta: A criança se recusa a pisar no chão ou andar, mas não há inchaço volumoso ou deformidade visível. Ela apenas arrasta a perna ou chora ao ficar em pé.



5. Entorses e Lesões da Placa de Crescimento (Fise)


As placas de crescimento são as áreas mais frágeis do esqueleto infantil. Elas são mais fracas que os ligamentos. Ou seja, uma "entorse de tornozelo" grave em um adulto pode, em uma criança de 10 anos, ser uma fratura da fise distal da fíbula.

  • Sinais de alerta: Dor intensa na proeminência óssea (maléolo), inchaço imediato e incapacidade de apoiar o pé por mais de 4 passos.

  • Lesões fisárias mal tratadas podem causar parada de crescimento e deformidades angulares (perna torta) no futuro, exigindo seguimento a longo prazo.


O trauma ortopédico infantil exige um olhar diferente. Um osso de uma criança de 5 anos consolida mais rápido, mas também remodela mais.

Ignorar uma "dorzinha" que persiste ou um trauma que foi tratado como "besteira" pode resultar em sequelas como encurtamento de membro, deformidades rotacionais e artrose precoce na vida adulta.



Quando Procurar Atendimento Imediato?

Procure um especialista em Ortopedia e Traumatologia se a criança apresentar:

  1. Deformidade visível no membro (osso torto ou ângulo estranho).

  2. Recusa total em mover o braço ou a perna.

  3. Inchaço progressivo ou hematoma (roxo) muito extenso.

  4. Dor que não melhora com analgésicos simples e repouso.

  5. Claudicação (mancar) que persiste por mais de 24-48 horas.


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