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O que é joelho valgo?

  • 29 de jun
  • 3 min de leitura

O joelho valgo, popularmente conhecido como "joelhos para dentro" ou "pernas em X", caracteriza-se pelo desalinhamento dos membros inferiores no plano frontal, no qual os joelhos se tocam ou se aproximam enquanto os tornozelos permanecem afastados. Trata-se de um achado comum durante o desenvolvimento infantil, mas que exige atenção quanto à sua persistência além do período esperado.

O alinhamento dos membros inferiores segue um padrão previsível durante o crescimento. Estudos clássicos, como o de Salenius e Vankka l, demonstram que:

  • Ao nascimento, a criança apresenta um varo fisiológico (pernas arqueadas).

  • Por volta dos 18 a 24 meses, os membros inferiores tendem à neutralidade.

  • Entre 2 e 4 anos, observa-se o pico do valgo fisiológico, com distância intermaleolar aumentada.

  • A partir dos 7 anos, o alinhamento se estabiliza em valores próximos aos do adulto.


A partir dessa idade, a persistência de um valgo acentuado ou assimétrico deixa de ser considerada fisiológica e passa a demandar investigação clínica.


Quando o valgo se torna preocupante?

Pesquisas publicadas no Journal of Children's Orthopaedics e no Clinical Orthopaedics and Related Research indicam alguns critérios para diferenciar o valgo fisiológico do patológico:

  • Distância intermaleolar superior a 8–10 cm em crianças acima de 7 anos.

  • Assimetria entre os membros inferiores.

  • Valgo unilateral ou de progressão rápida.

  • Presença de dor no joelho, quadril ou tornozelo.

  • Alterações na marcha (rotação interna excessiva, adução do quadril).

  • Histórico familiar de deformidades angulares ou doenças ósseas metabólicas.


Estudo de Fabry destaca que, em crianças acima de 7 anos com valgo persistente, há risco aumentado de dor femoropatelar, instabilidade patelar e sobrecarga articular ao longo do tempo.


Causas e fatores associados

A literatura aponta múltiplos fatores que podem contribuir para o joelho valgo persistente:


Fatores biomecânicos e posturais

A rotação interna do quadril, o aumento do ângulo Q e a fraqueza da musculatura estabilizadora do quadril, especialmente do glúteo médio e rotadores laterais, são frequentemente relatados como preditores do valgo dinâmico durante a marcha e o agachamento.


Frouxidão ligamentar generalizada

Crianças com hipermobilidade articular apresentam maior tendência ao valgo, uma vez que a estabilidade passiva está reduzida, transferindo maior demanda para o sistema muscular ativo.


Obesidade infantil

O excesso de peso corporal impõe carga adicional sobre os joelhos e tem sido associado à acentuação do valgo. Estudos mostram correlação positiva entre índice de massa corporal elevado e aumento da distância intermaleolar em crianças.


Hábitos posturais

O sentar-se em "W" (rotação interna de quadril e joelhos flexionados com os pés para fora) é frequentemente observado em crianças com valgo. Embora não seja necessariamente a causa primária, esse padrão pode perpetuar encurtamentos musculares e frouxidão capsular medial, agravando o desalinhamento.


Consequências a longo prazo

Quando não corrigido, o valgo excessivo pode desencadear uma cascata de sobrecargas mecânicas:

  • Síndrome da dor femoropatelar: O aumento do vetor em valgo eleva as forças laterais sobre a patela, predispondo a condropatias e instabilidades.

  • Lesões ligamentares: O estresse em valgo é um dos mecanismos clássicos de lesão do ligamento colateral medial e do ligamento cruzado anterior, especialmente em adolescentes fisicamente ativos.

  • Alterações compensatórias: O valgo excessivo pode contribuir para pronação excessiva do pé, antepulsão pélvica e sobrecarga lombar, gerando desequilíbrios em cadeia.


O papel da fisioterapia na correção precoce

A infância e o início da adolescência representam a "janela de ouro" para intervenções biomecânicas, devido à plasticidade do sistema neuromusculoesquelético em maturação. A literatura respalda uma abordagem conservadora baseada em exercícios terapêuticos como primeira linha de tratamento para o valgo persistente e o valgo dinâmico.


Quando procurar um fisioterapeuta?

A observação dos pais e pediatras é fundamental. Recomenda-se a avaliação fisioterapêutica quando:

  • A criança apresenta queixa de dor nos joelhos ou pernas durante ou após as atividades.

  • O valgo persiste após os 7 anos ou apresenta assimetria evidente.

  • A marcha demonstra rotação interna acentuada dos membros inferiores.

  • Há dificuldade em manter o alinhamento durante brincadeiras, corridas ou subida de escadas.


Na SOU, a avaliação do joelho valgo na infância e adolescência é conduzida com base em análise postural global e testes funcionais. O plano de tratamento é individualizado e considera o estágio de desenvolvimento, os fatores biomecânicos associados e os objetivos da criança e da família.


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