Seu filho sente dor ou tem alteração postural? Entenda quando a fisioterapia é necessária
- Karine VIDA FIT & MOVIMENTO
- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Muitos pais escutam que determinadas alterações “fazem parte do crescimento”. No entanto, postura desalinhada, quedas recorrentes, dificuldade para acompanhar atividades esportivas ou um padrão de marcha diferente não são considerados normais segundo as diretrizes atuais de desenvolvimento motor infantil.
Esses sinais, mesmo quando sutis, podem indicar alterações na força muscular, na coordenação ou no alinhamento corporal, e merecem atenção especializada o quanto antes.
O corpo da criança está em desenvolvimento — e ele dá sinais!
Durante a infância e a adolescência, o sistema musculoesquelético passa por mudanças. Quando esse crescimento acontece associado a sobrecargas, desequilíbrios musculares ou padrões inadequados de movimento, o corpo da criança encontra formas de compensar.
Essas compensações nem sempre geram dor imediata. Muitas vezes, aparecem como:
postura alterada;
cansaço excessivo ao brincar ou praticar esportes;
quedas frequentes;
dificuldade de coordenação e equilíbrio;
queixas recorrentes de dor.
Segundo as diretrizes internacionais em fisioterapia pediátrica e desenvolvimento motor, crianças não deveriam conviver com dor musculoesquelética recorrente. Quando a dor aparece, geralmente está associada a:
sobrecargas articulares repetidas;
desequilíbrios de força;
encurtamentos musculares;
compensações posturais mantidas ao longo do dia.
Posturas inadequadas ao sentar, o uso incorreto da mochila, a prática esportiva sem preparo adequado ou até mesmo o modo como a criança brinca podem gerar microlesões repetitivas no sistema musculoesquelético.
Com o passar do tempo, essas microlesões se acumulam e podem interferir diretamente:
na postura;
na eficiência do movimento;
no desempenho esportivo;
na autoconfiança da criança em relação ao próprio corpo.
Quando a fisioterapia infantil é indicada?
A avaliação fisioterapêutica deve ser considerada sempre que a criança apresenta:
dor no pescoço, nas costas, nos joelhos, nos pés ou nos quadris;
alterações posturais visíveis (ombros caídos, joelhos em X, pés planos, curvaturas na coluna ou assimetrias);
dificuldade de coordenação, equilíbrio ou controle corporal;
histórico de lesões esportivas ou quedas frequentes;
atraso ou dificuldade nas habilidades motoras esperadas para a idade.
A avaliação precoce permite identificar a causa do problema, e não apenas tratar suas consequências, reduzindo o risco de agravamento ao longo do crescimento.
Como é a avaliação fisioterapêutica infantil na SOU?
Aqui, a criança é avaliada de forma global e individualizada. Nosso olhar vai além da queixa pontual.
Observamos:
postura estática e em movimento;
padrões de marcha;
força muscular, mobilidade articular e flexibilidade;
equilíbrio, coordenação, controle motor e consciência corporal.
A partir dessa análise, definimos quais estratégias são mais indicadas e quais objetivos devem ser priorizados, sempre respeitando a fase de desenvolvimento da criança ou do adolescente.
Tratar não é apenas aliviar sintomas!
A fisioterapia infantil não tem como objetivo apenas aliviar a dor momentânea. Nosso foco é identificar e tratar a origem da alteração, que nem sempre está diretamente relacionada à queixa apresentada pela criança.
Estudos de alto nível de evidência demonstram que programas baseados em exercício terapêutico, controle motor e fortalecimento adequado à idade:
reduzem dores recorrentes;
diminuem o risco de novas lesões;
melhoram postura, coordenação e desempenho funcional;
aumentam a confiança da criança no próprio corpo.
Quando uma criança muda sua forma de se movimentar, evita brincadeiras ou se queixa de dor, o corpo está pedindo ajuda.
Se você percebe sinais de dor, postura alterada ou dificuldade de movimento, a avaliação fisioterapêutica é o primeiro passo para cuidar do presente e proteger o futuro do seu filho.


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